5 de set de 2008

Balada do amor in(abalável) - Capítulo 2

Estava eu, num meio jovial, aos 15 anos, numa festa; dessas de prédio. Era uma sexta-feira. Interessada num garoto, nem percebi que havia alguém diferente por ali. Vi depois, enfim, ao longe, uma pessoa (Júlio) com uma kipá. Algo anormal por ali. Ele veio até mim, não sei como. Conversamos, do nada. E quando vimos, sabíamos quase tudo da vida um do outro. Se tratava de um judeu, que, aos 17 anos, estava noivo (paaasmem a loucura da pessoa). Ele estava morando em Israel há um ano e, naquela época, em férias (voltaria depois de uma semana) no Brasil.
Na segunda-feira, ele foi no meu colégio e nos tratamos como velhos amigos. Um abraço bem especial: ele partiria depois de uns 5 dias.
Trocávamos e-mails o tempo todo. Até comecei a namorar esse último, que citei no Capítulo 1 (o tímido ao extremo). Os conselhos eram dos melhores. Fazíamos vários planos para a volta dele. Como seria, os passeios, tudo.
Passou-se um ano e Júlio voltou ao Brasil (férias de novo). Eu estava nervosíssima. Fui ao aeroporto pegá-lo. Adivinha quem eu encontro? A noiva dele. Sim, ela, que mora em Belém-PA, estava aqui em Recife. Ele chegou e falou com todos, menos comigo. Puta da vida, quase indo embora, ele foi ao meu encontro. Foi rapidinho.
1 mês e meio se passou. Júlio me enrolou, me enrolou - alegando a presença da noiva - e não nos vimos. Ele voltou para Israel. Esse seria o seu último ano (2006) - ele não sabia, achava que viria de novo em férias e voltaria pra estudar em alguma faculdade.
Em fevereiro de 2006 acabei o meu namoro. O noivado dele estava meio balançado. Os nossos e-mails ficavam cada vez mais intensos. Já não se tratava mais de uma amizade forever and ever. Era muito mais. Eu me realizava a cada mensagem ou a cada notícia, por mais simplórias que fossem.
Em meados de junho/julho, Júlio acabou o noivado: a namorada tinha lhe colocado (vários) chifres. Consolei, fiquei triste, porém, tudo no maior cinismo do mundo. Eu estava pulando de felicidade. Ele chegaria em dezembro e a ansiedade me manipulou total.
Era dezembro. Não pude ir buscá-lo no aeroporto, mas liguei na hora que ele chegou. Tão bom ouvir aquela voz, sabendo que ele estava aqui e nos veríamos logo. Dei o número do meu celular. 6 dias se passaram e nada dele ligar. Eu estava à 1000 por hora: "Filho de uma mãe, me iludiu. Não vai mais me ligar! Como eu pude acreditar?" Quando, no 7º dia, eu recebo uma ligação de Júlia (amiga minha), falando que conheceu Júlio (de quem eu tanto falava) naquela hora, que ele disse estar apaixonado e que queria muito falar comigo, só que tinha perdido o meu número. Não acreditei, claro! Que desculpa! Fui bem durona no telefone, mas marcamos de nos encontrar no outro dia.
O encontro foi no Country (clube daqui do Recife). Eu estava irradiando de felicidade. O melhor abraço do mundo. Conversamos quase 1h e nos beijamos. Queria aquele dia eterno!
O dia seguinte seria o aniversário do irmão dele. Iríamos nos ver de novo. Era dia 22 de dezembro de 2006: começamos a namorar. Ele desistiu de voltar à Israel.
Ele era diferente, sabe?! Diferente de tudo que eu já vivi, em vários aspectos. Ele era estranho, engraçado, atacado, com uns hábitos surreais. Era judeu, velho. Por mais que eu tivesse amigos judeus, namorar um é BEM diferente. Mas eu adorava! Gostava muito de conhecer a religião e participar das festas. Achava hilário vê-lo falando ou escrevendo hebraico. Enfim, muito fora do meu normal, mas me fascinava!
Meus pais... Ah, meus pais gostaram dele. A primeira impressão foi de uma pessoa hiperativa, bem tagarela e espontânea. É, só a primeira.
Eu fui uma apaixonada! Estava ali pra ele e por ele. Fazia de um tudo pra vê-lo. Desmarcava tudo e iria encontrá-lo. Enfrentei meus pais, meus amigos e todos que me julgavam "entregue demais".
Sim, eu estava entregue demais. Só não percebia. Estava cega! Até julho de 2007, meu namoro era um mar de amores.
Até que chega julho-2007, ele me dá a notícia que vai à um seminário judaico em São Paulo e que esse teria duração de 15 dias. Como eu sentiria falta, mas não pude ir de encontro.
Já no fim do seminário, ele me dá mais uma notícia de que passaria mais 6 meses em São Paulo, num projeto também judaico. Sofri, mas nem cogitei acabar o namoro. Júlio voltaria à Recife ainda. Achando eu que seriam, ao menos, 2 semanas... Ele passaria 5 dias aqui (intrigantes, com algumas desconfianças passageiras) e voltaria à SP. Iriam ele e mais um amigo meu, o Portuga. Levei os dois ao aeroporto. Aquelas últimas horas foram "angustiantes". A despedida final foi horrível. Chorei como louca. Ele não chorou. Apesar de se mostrar sentido por partir, parecia querer ir embora logo. Que saudade!

Não sabia eu, que ali, naquele momento, começaria o maior estresse (estou sendo bem sutil) da minha vida.

Quer saber mais? Continua amanhã!
Tenham uma boa noite!

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