8 de set de 2008

Balada do amor in(abalável) - Capítulo 4

No telefonema, com uma voz precisa, perguntei onde ele estava. Ficou calado. Perguntei outra vez. Falou que havia ido pra BH. Perguntei o motivo de não ter me falado que ia pra lá. Ele responde que resolveram tudo de última hora e não deu tempo de me avisar.
- Com quem você está aí? - perguntei
- Com o rabino e três amigos.
- Quem são os amigos?
- Gustavo, Leonardo e Pedro.
- É? Me liga daqui a 5 minutos?
- Certo.

Liguei pra menina de BH. Perguntei por Júlio e ela disse não saber de seu paradeiro. Falei que ele estava em BH. Ela gostou de saber e falou que ia procurá-lo. Bandida! Ainda teve a coragem de me provocar.

Ele me liga de novo. Pergunto por que ele não me diz logo a verdade. Ele fala que se for pra eu ficar desconfiando, é melhor desligar. Eu peço pra falar com um dos amigos. Ele diz que não dá, alegando a impossibilidade do amigo. Eu não entendo. Ele fala que o amigo não fala com estranhos. Mas que desculpa foi essa? MEU DEUS! Santa criatividade... Desligamos.

Ligo pra Ilan (primo de Júlio) no desespero. Ele me acalma muito, mas não totalmente. Eu precisava logo saber da história real. Até pra Samantha (irmã do Portuga) eu liguei, mas ela tirou o corpo fora.
Ligo pra Portuga. Pedi pra ele me contar tudo sobre o que estava acontecendo entre Júlio e a menina de BH. Ele disse que o deixasse fora dessa. Insisti muito, por tudo.
- Aline, está na sua cara, só você não vê!
- Me conta tudo, por favor? Eu preciso saber detalhes, pra poder aceitar de vez, sabe? - insisto eu, já aos prantos.
- Tá, vou contar. Agüento mais não. Seguinte, Júlio e a menina de BH estão namorando. Ele está agora na casa dela.
(Fiquei muda)
- Tá aí ainda? - pergunta Portuga
- Unrrum. Termina.
- Tudo começou no seminário... Ele ficou com uma outra garota lá e depois com a de BH. Começaram a namorar. Ele foi pra Recife namorando com a outra e o objetivo principal de voltar pra SP era de ficar mais próximo dela. Sabe a peguishá? Eles estavam juntos lá. Sabe o dia que ele disse que foi à Brasília? Era mentira, ele foi à Belo Horizonte. Agora ele está lá, com ela. Desculpa não ter te contado antes, mas ele pedia pra eu negar. Sempre dizia pra ele te revelar, que não era certo com nenhuma das duas. Ele dizia que gostava das duas e não queria acabar.

Imaginem, agora, o meu estado naquele momento? PAS-SA-DA! Foi duro ouvir tudo aquilo e não ter pra onde fugir. Era verdade, não adiantava mais negar, nem fingir que não acreditava.

Preciso falar com ele. Desligo com Portuga, que pede pra eu deixar o áudio do MSN ligado, que ele queria ouvir. Tudo bem, deixei. Até então eu não sabia, mas isso seria gravado e viraria motivo de chacota.

Ligo pra ele e continuou negando, mesmo eu falando tudo que sabia. "ACABOU, Júlio, A-CA-BOU, ouviu?!" Ligo pra menina de BH. Aos berros, explodi tudo que Portuga havia me falado. Ela não tinha mais como contestar. Me pediu mil desculpas e assumiu. Júlio estaria ao seu lado, naquele momento. Eu nem lembro direito o que falei, ao certo. Sei que dei uma bela de uma esculhambação e ela, chorando, só se desculpava, dizendo que havia sido enganada também. Mas, querida, nada é motivo pra você se fazer de amiguinha. Era melhor nem ter tido algum contato comigo.
Pedi pra falar com ele e o cafajeste não quis.

Eu não acreditava no que estava acontecendo comigo. Aquele era o nosso namoro, não só dele. Não tinha o direito de acabar com tudo. O que eu fiz pra merecer? Eu dei tantas oportunidades da verdade ser dita e ele preferiu esconder. Seria tão mais fácil. Ou não?
O dia seguinte pra mim foi horrível. Teria prova, mas nem a primeira questão consegui ler.
"Amiga, ele vai se arrepender, vai te pedir pra voltar e tu vais ser forte, orgulhosa e segura no que tu quer (se livrar dele pra sempre)!" Todas me falavam.

Júlio passou mais dois dias em BH e voltou à SP.
A partir daí, começou o drama. Num intervalo de aula, recebo uma ligação. Era ele. Me pedia mil desculpas, admitia o erro e, mesmo sabendo da não-volta, pedia que eu entendesse. Falou também que acabou com a menina de BH. "Entender mais o quê? Que droga... Olha o que você me fez. Perceba!" Ele diz que não vai desistir e desligamos.
Os meus dias passaram a se resumir na resistência à uma puta dor. Aquele quengão me passou pra trás e eu ainda gosto dele? Vamos tratar de esquecê-lo?
Era difícil... Ele passou uma semana insistindo falar comigo. E-mail, MSN, torpedo... Não ligava. Estava impossibilitado de ligar, já que não lhe haviam mais créditos. Daí pede pra eu ligar. Resisti muito e terminei ligando. Ele diz que vai voltar à Recife e que irá pagar as ligações que eu fiz pra ele, até porque era a pedido dele que eu ligava. Burra, né? Muito burra! Mas não viram nada. A burrice vai aumentar.

Ligações e mais ligações feitas. Ele se passava por sofrido. Lágrimas não lhe faltaram. Pense num drama. Pensou? Multiplique por 1000 e acrescente um punhado... Ou melhor, 300 punhados de mentira. Pronto? ABUSO! Digo abuso agora, mas naquela época... Dava um dó. Eu poderia crer que ele estava melhor, que havia mudado. Mas não cedia (isso durou 1 mês). Todos os dias nos falávamos. É, dei trela pra cachorro manso.
Eu ajudei com a sua volta à Recife - sua família não o queria por aqui, vejam com quem eu fui me meter. Sim, foi isso mesmo. Eu avisei que a burrice aumentaria e só tende a crescer. Com a data marcada para retornar, cedi aos "encantos" de Júlio e voltei o namoro. As pessoas não conseguiam entender o por que de eu ter voltado com alguém como ele. Fui bem julgada, mas tem horas que precisamos levar 3000 tombos pra acordar.

Recife o tinha mais uma vez. Tudo "maravilhoso"! Até que, 15 dias depois, chegou a conta mensal de telefone. "O QUÊÊÊ? Fu-deu tu-do! Me dê por morta, Júlio!" Calma, meu amor, eu disse que ia pagar e VOU! Acreditei. Minha mãe não iria admitir 2500 reais pra ela pagar. Foi isso mesmo: dois mil e quinhentos reais jogados fora!
Fomos juntos (eu e ele) comunicar o estouro ao meu pai. Falamos logo que iríamos conseguir o dinheiro. Meu pai ficou pasmo, mas a ficha ainda não teria lhe caído. Escondemos da minha mãe por um tempo, mas tivemos que falar. Gente, foi horrível! Ela não entendia por que eu tinha feito aquilo, muito menos como eu consegui. Eu só chorava. Não conseguia falar nada. Foi a maior decepção da vida dela, com certeza. Não só pelo dinheiro, mas no estágio de translucidez que eu fui parar, por conta de uma "porra de um namorado". "Filha, você nunca fez isso... Ai meu Deus, o que eu vou fazer?!" Muito ruim... Muito mesmo! Ela me mandou escolher entre nós, família, e ele, namorado. Na hora, ainda em transe, achei aquilo um absurdo. Mas ela sabia o que estava fazendo e que seria pra o meu bem um choque desses. E foi a coisa certa! Eu precisava!
Disse pra ela que havia acabado, mas fiquei namorando escondido.
Júlio procurava dinheiro e não conseguia. Eu achava que ele já teria, ao menos, metade da grana. Mas não tinha NADA. Vendeu, me passando na cara, o vídeo-game: 350 reais. Ainda nos faltava 2150.
Ele "tentou de tudo" e nada. Prometeu que pagaria... Até hoje nem sinal. Meus pais tiveram que pagar.
Enquanto isso, o nosso namoro se transformara numa loucura. A minha desconfiança, as mentiras dele (incrível, vocês não têm noção das "mirabolâncias"), a preocupação em camuflar os encontros... Um inferno!

Até que, depois de inúmeras mentiras, teve uma que se transformou em fim. Eu não agüentava mais aquilo. Não tinha mais fôlego. O que eu faria ainda com aquele indivíduo? Tá na hora de acabar com tudo isso, levantar e inovar, cuidar de mim.
Acabou! Minha nossa, acabou MESMO... Que alívio! Sabe uma leveza no corpo? Me tirou um peso enorme. Agora sou eu, sabe? A que eu conheço, que tomou coragem e...

Depois de 2 meses, voltamos.





BRINCADEIRA! Hahahaha Volto mais não, queridos!

O fim pode não ter sido tão emocionante, mas pra mim já valeu e MUITO!

Perdi muito tempo, conhecimentos estudantis, ganhei uma insegurança remosa, desmoronei minha família e briguei com amigos. Agora tudo bem, graças a Deus!
Mas de algo valeu: estou vacinada pra esse tipo de gente. Pronta pra outra! Quer dizer, quero outra dessa não.

E assim termina a minha balada do amor abalada, disposta a "desabalar".

FIM (de um Início)

P.S.: Só um desabafo: analisando agora, eu nunca, mas nunca mesmo, gente, subestimei tanto a minha inteligência como aconteceu nessa história.

4 comentários:

Juliana Alves disse...

sem comentários Aline Maria, nem vou falar muito até pq tu já sabe o que eu tenho pra falar. ;**

Ana Gabriela disse...

"Quando vc escuta uma história é pode ser até encantador(não que a história seja encantada.), mas qnd vc ler se torna eletrizante."

Acabei de inventar, mas foi isso que eu pensei qnd terminei de ler.

Daria uma boa ficção, pena que foi real.

:*

Aline disse...

PQP!!!!!!
Essa do celular foi mesmo foda heim? Mas eu te entendo, a gnt fica cega por uns cachorros desses, os caras têm um lábia do cacete, um horror!

Bjm e sempre alerta

Carlinha disse...

M-e-n-i-n-a! Como você deixou isso acontecer? Como você quis voltar com esse ser? Difícil mesmo de entender! O amor tem razões que a própria razão desconhece,né? PHODA!
Espero que você já esteja recuperada e que não julgue os outros homens tirando por base o canalha do seu ex, lembre-se que nem todos são iguais.
Beijos!