21 de ago de 2008

Cuja espontaneidade transborda em sua face e me faz apreciar, de tal forma que me perco em suas notas!

28/06/2008

Elis Regina Carvalho Costa será hoje o meu tema. Talvez um dos mais especiais!
Gaúcha (Porto Alegre), nasceu no dia 17 de março de 1945 e veio a falecer em São Paulo no dia 19 de janeiro de 1982. Mãe de três filhos (João Marcelo Bôscoli, Pedro Camargo Mariano e Maria Rita). Casou-se duas vezes (primeiro Ronaldo Bôscoli e depois o talentoso César Camargo Mariano).

Elis é, pra mim, uma das descobertas mais felizes da minha vida.
Eram constantes os comentários da minha mãe sobre ela, sobre a fascinação que ela conseguiu proporcionar e a saudade que deixou. A minha curiosidade aumentava. Queria vê-la. Ouvia as músicas e gostava. Mas me falavam que a interpretação dela era uma "coisa de louco"!
Certo dia das mães... Eu e meu pai fomos escolher um presente. Qual dessa vez? Já demos um DVD? Não, seria uma boa. Mas qual...? Já sei: Elis Regina! Ela vai adorar! Compramos!
Dito e feito: ADOROU! Inaugura, mãe!
O-QUE-É-ISSO? Minha nossa! O que essa mulher tem? Um encanto repentino! Assisti ao DVD inteiro impressionada, observando cada detalhe, cada passo e cada nota! Meus sentimentos oscilavam mais que tudo. Ri, chorei... Olha como ela dança. Olha como ela canta. Meu Deus, ela se dá tanto à música! Que voz... Fim.
Fim? Muito pelo contrário! O início de uma longa e eterna paixão. Nunca pensei que poderia me identificar tanto com alguém, como foi com Elis. Mulher/Mãe de personalidade muito forte, daquelas de dar inveja.
“Tenho um profundo respeito por meu filho. Ele é profundamente meigo, alegre, descontraído. Tenho inveja da facilidade que ele tem para resolver seus problemas, a facilidade com que ele enfrenta a vida, com que sobe e desce escada, o que para idade dele, é uma coisa terrível. Eu gostaria de ser como ele. Não quero ser super mãe, pois João Marcelo vai viver num tempo em que não viverei, já estarei gasta. Não vou fundir a mufa do meu filho com coisas que eu sei, são velhas, antigas e apodrecidas. Vou deixar que ele descubra a vida sozinho, dando-lhe apenas noção de suas limitações. Mas numa coisa eu sou meio cadela com cria nova, façam qualquer coisa para mim, mas não levantem a voz contra o meu filho. Se alguém se atrever a botar um grilo na cuca de João, pobrezinho! Vai ver uma Elis leoa. O leão pode ser muito bonito, com juba e tudo, mas fica na floresta tomando conta dos filhotes, e quem sai para brigar é a leoa. Se eu careta sou fogo, imagine eu leoa.” (Elis Regina)

Inteligente demais. Tinha sempre resposta para todas as críticas: não cultivava papas na língua, tornando-se uma cantora polêmica para a época. Quando explodia, ai de quem estivesse por perto, por isso, recebeu o merecido apelido de Pimentinha.
"Por que exigem de mim tanta coisa? Sou boa cantora e ainda tenho de ser educada?" (Elis Regina)


Queria muito ter vivido, ao menos, um show dela.
Não se fazem mais cantores como antigamente (“As minhas posições sobre os novos frutos da música popular não são saudosistas. O que eu acho é que muitos deles refletem uma involução de pelo menos 30 anos.” [Elis Regina]). Realmente...

Ela se entregava como um todo à emoção.
Como falei anteriormente, me encantei com tudo naquele DVD (que, por sinal, foi o seu último especial. Produção da Globo junto à Som Livre. Vale a pena!), mas o que me chamou mais a atenção foi quando ela cantou Atrás da Porta (Chico Buarque). Elis se entregou à música e chorou como uma criança. Descobri, logo depois, que, nesse especial, estava em crise com o atual marido (César Camargo Mariano). Vi outra vez aquela cena e a emoção tomou conta de mim: choro toda vez que vejo, sem excessão!


A dança, as expressões. Tudo era lindo e contagiante.


Essa mulher. Atrás da Porta. Cinema Olympia. Aos nossos filhos. Como nossos pais. Rebento. Alô, Alô marciano. Vida de bailarina. Irene. Ladeira da Preguiça. Redescobrir. Águas de Março. A fia de Chico Brito. Andança. Arrastão. Casa no campo. Chega de saudade. Na batucada da vida. Dois pra lá, dois pra cá. Madalena. Olhos abertos. Vou deitar e rolar. Corcovado. Valsa de Euridice. Tiro ao Álvaro. Retrato em preto e branco.
São tantas as músicas que Elis as fez sucesso. O impressionante é que ela não precisou compor nenhuma música. Sua interpretação superava qualquer letra e todas as expectativas.
"Cantar, para mim, é sacerdócio. O resto é o resto." (Elis Regina)

Poderia ficar horas escrevendo sobre a Pimentinha, mas, infelizmente, preciso concluir.
Portanto, finalizo o post de hoje com uma citação de Ronaldo Bôscoli (primeiro marido de Elis):
"Eu disse: 'Posso mandar minha mulher pegar minha coisas?' Ela: 'Sua mulher, seu filho da puta?' Foi nesse dia que ela jogou meus discos pela janela." (R.B)

3 comentários:

Aline Alves disse...

Esse foi o meu post mais difícil! Queria falar tudo, sem deixá-lo cansativo. Se ficou grande... JURO como eu resumi ao máximo, mas me entendam: Não foi/é nada fácil, pra mim, falar pouco de Elis.

Helena Ferraz disse...

é uma leoa, e seduz assim como a espécie... devota também sou de pessoas que se tornam unicas(a Elis é unica). um abraço.. Lena

Juliana Alves disse...

ficou ótimo, mas o que eu gostei mesmo foi do final:"Eu disse: 'Posso mandar minha mulher pegar minha coisas?' Ela: 'Sua mulher, seu filho da puta?' Foi nesse dia que ela jogou meus discos pela janela." adorei isso! ;*