21 de ago de 2008

Empréstimo

29/06/2008

Um amigo (muito) querido me pediu o Blog emprestado para uma breve exposição de sentimentos.
Queria poder dizer aqui o nome dele (para fazer jus ao ótimo texto), mas pediu-me sigilo.

Aí está:

Sobre Relacionamentos

“São os ovos. Vendo um filme de Woody Allen – Noivo neurótico, Noiva nervosa - me coloquei a refletir sobre relacionamentos amorosos.
Sempre estive distante deles, possuo certo medo de enfrentá-los, e cá pra nós, trata-se de um embate perigoso; Sentimentos, recordações, segredos, confiança, amizade estão envolvidos. Há uma entrega de ambos, uma cumplicidade ímpar, necessidade de estar juntos. Porém, quando menos se espera, tudo acaba quase de uma só vez, geralmente, de maneira desagradável. Dói. Dói m-u-i-t-o. Evitando essa dor, estive afastado de tais experiências.
Engraçado, aquele que sempre vê de longe relacionamentos – meu caso, sempre acha o casal, louco. Num dia os dois se odeiam, no outro, se amam. A mulher espanta-se quando o homem não demonstra ciúmes, porém, se esse demonstrar, estará equivocado. O homem tem de mostrar sempre interesse nos assuntos da parceira, porém, se mostrar muito, pode parecer desconfiança. Há uma inconstância nesse sentimento inexplicável. Mas, por ironia disso tudo, o apaixonado inconstante agora sou eu, e com todas as peripécias me encontro.
Calmo, analítico, racional são qualidades minhas. E nem de longe são características de uma relação: Nessa diferença, nem preciso dizer quais qualidades se ressaltam. Toda a calma do meu ser se vê confundida, atos impensáveis agora são meus atos. Confusão. Quero gritar: eu... EU gritar? Pois bem, quero.
Quero mais. Quero dizer ao mundo que a amo. Quero que ela me ligue todos os dias! Todos os dias? Não, é um exagero. Me pergunto: dentro de uma relação, o que pode ser considerado um exagero? Qual é o medidor para duas pessoas? Respostas frias, analíticas e condizentes são daqueles que nunca amaram. Os que já, ou os que estão, preferirão nem responder. Para eles, o que resta é sentir.
Resumindo, uma piada responde bem a isso tudo;
Um homem foi ao seu analista.
- Meu irmão está doido! Acha que é uma galinha!
- Então, porque você não o interna?
- Porque preciso dos ovos dele.
Relacionamentos são assim, amáveis, afáveis, incompreensíveis, loucos, apaixonantes, intrigantes, calmantes, instigantes, inconseqüentes. Mas necessários, necessários como os ovos. São ovos.”

Um comentário:

Aline*** disse...

AMEI! Seu amigo escreve muito bem. A paixão é mesmo patológica, com sitomas doentis. O ser humano não suporta por muito tempo. E ainda dizem que é bom estar apaixonado. Um dia chega a calmaria do amor. Esse sim é possível "suportar" eternamente.
Beijos de luz,
Aline***