21 de ago de 2008

Destino irônico

01/07/2008

Estava eu aqui, olhando meus arquivos úteis e inúteis... Quando acho uma crônica, cujo tema é carnaval, que foi feita por mim no meu 1º ano do Ensino Médio (2005). Achei muito engraçado o quanto a vida é linearmente sarcástica.
Resolvi expor:

E o destino falhou

Quando se inicia a folia, as cidades irmãs param em prol da alegria! Desde o Homem da Meia-Noite ao Bacalhau do Batata, Olinda não se cansa de frevar. Suas ladeiras repletas de foliões, que, de onde quer que sejam, não querem deixar a cidade alta.
As irmãs se embelezam como nunca, tudo maravilhoso. Está aí: o melhor carnaval do mundo! É de se emocionar. Há de tudo: desde o amor, até a tragédia – que não vem ao caso.
Exponho tudo isso, não só porque é o melhor carnaval, mas porque ele me chama a atenção e me faz recordar acontecimentos inesquecíveis.
Um desses fatos se deu em Olinda, no sábado de Zé Pereira; eu achava que havia encontrado o amor da minha vida. Exatamente na rua do Amparo, na frente de uma casa, que não me recordo o número. Lá estava ele, vestido de marinheiro, todo de branco, meio tímido, desviava o olhar. Era inusitado!
Imaginei que algo nos aconteceria se fizesse parte do nosso destino e, é claro, passei algumas horas pensando nisso. Pois bem, deixei o meu amor no Amparo e fui em direção aos Quatro Cantos. Eu imaginava que o destino me ajudaria, colocando-nos em alguma situação que me favorecesse.
Passaram-se horas e o sonhado marinheiro não aparecia. Então, na frente da prefeitura, o encontrei outra vez. Meu corpo inteiro pôs-se a tremer, estava aflita demais. Tive medo do que poderia nos acontecer – sem saber o motivo dessa angústia. Mas ele não me percebeu, passou direto.
Todavia, eu ainda tinha esperanças, o destino não iria me abandonar num momento desses. Fui frevando pela cidade, aproveitando o esplendoroso carnaval, quando o encontrei outra vez e, mais uma vez, ele não me viu.
Fracassada; era assim que eu me sentia. Por incrível que pareça, fiquei triste por um indivíduo, com o qual nunca tinha conversado.
Voltei ao Amparo. Triste, me sentei no meio-fio. Uma voz soou:
- É carnaval, linda!
- É, eu sei. – ainda sem erguer a minha cabeça.
- Então, qual o motivo para a tristeza? – a voz tentava me ajudar.
- O destino está contra mim!
Fui erguendo a cabeça para saber quem me dirigia palavras tão prestativas. Quando vi a roupa branca, listrada de azul, meu coração quase sai pela boca, mas só chegou até a garganta: era um amigo meu. Confirmadíssimo: “O destino está contra mim!”.
Nesse momento, resolvi que iria partir. Voltar ao meu lar e à realidade. Nada mais de fantasia, nada mais de serpentinas; só a vidinha medíocre de sempre, sem o meu marinheiro.
Fui andando até o carro, no meio da multidão e... Adivinha com quem me encontrei? Exatamente, o homem, o marinheiro, o inusitado. Ele olhou para mim e:
- Achava que não iria lhe encontrar mais!
Por incrível que pareça, não consegui pronunciar nenhuma palavra. Eu estava deixando a cidade alta, meus pais estavam logo à frente. Como não tinha mais tempo, perdi o meu amor de carnaval, perdi meu marinheiro.
Ah, carnaval, por que passas tão ligeiro e deixas tantos vestígios?


Nome: Aline Alves
Série: 1º ano C

2 comentários:

Helena Ferraz disse...

"Nunca lamente uma ilusão perdida,pois não haveria fruto se a flor não caisse" desconheço o autor... ótima crônica; helena

Cris disse...

Minha linda! Amei seu artigo!!! Sabes de uma coisa? Escolheste a carreira certa: Escreves muito bem! Já estou a vendo futuramente, uma grande escritora, com livros esgotando em todos os lugares... (posso dizer que sou tua amiga????) Saudades de vocês. Beijos